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REVIEW – Gotham: 1×02 – Selina Kyle

Gotham, a produção mais Marvel da DC

Capa

Pode parecer uma heresia, mas esse segundo episódio mostrou muito mais do ar Marvel na TV e Cinema do que a DC jamais quis mostrar em sua fase moderna (ou demonstrou após o fiasco do Lanterna Verde). E isso é bom? Para Gotham isso é quase péssimo. A demora em acertar o tom e criar para si uma identidade está atrasando o processo de aceitação da série entre o público. Ela é um pouco de cada, mas ainda não se tornou nenhuma.

Se no início a proposta era uma série policial/procedural com elementos das HQs, agora estamos acompanhando uma junção pouco coesa de vários universos do Batman. Vilões cartunescos, clima sombrio, estilo parecido com o do Tim Burton na atitude e na arquitetura e tons “nolisticos”. Ainda não consegui notar em Gotham um estilo próprio, mas talvez a ideia da série seja se tornar uma massa de outros estilos. Isso é identidade própria ou ausência dela?

Conhecemos logo de cara os dois vilões do episódio: um casal nem um pouco convencional que ‘juntava’ crianças para serem vendidas ao “Dollmaker”. O argumento é apropriado, mas a entrega terminou sendo bem fraca. E então eu me preocupo. Para onde Gotham quer ir? Qual caminho deverá ser traçado? Se os vilões do episódio demonstram características tão fora do comum, seria seguro esperar a futura introdução de elementos bizarros como Doutor Frio? Essa dúvida não me exibe bons augúrios. No fim, essa tomada juvenil só valeu pela menção do Arkham Asylum.

Quando entro no Criador de Bonecas, saído direito dos quadrinhos e responsável por transformar pessoas em criaturas bizarras sem vontade própria, até compreendo bem o que a série queria. Falcone disse que forças externas estarão propensas a invadir Gotham por causa da quebra de equilíbrio com a morte dos Wayne. E a citação desse nome tão marcante é apenas o sublinhado por baixo dessa frase, mostrando que nada do que o gangster diz deve ser tratado levianamente.

Pinguim

Já o Pinguim, o personagem é interessante, mas a série faria um bem danado se parasse de acelerar sua existência na série. Em poucos minutos ele estava pegando carona, assassinando e cobrando resgate em cenas que não chegamos a ver. Comentarei mais adiante esse recurso de ocultar momentos. Agora quero dedicar algumas linhas aos pontos que mais gostei em ‘Selina Kyle’.

O que mais vale nesse segundo episódio é a introdução verdadeira da Selina, não apenas se movimentando, mas finalmente falando. Tinha algumas dúvidas em relação à atriz mirim, Camren Bicondova, pois me incomodava com os traços parecidos com o de uma gata. Entendi que sua contratação se dava exatamente pela semelhança felina e não por sua qualidade de atuação. Convenhamos, isso é bem comum em adaptações e reboots. Entretanto, não poderia estar mais enganado: além de agir bem como gata, Camren convence no papel de uma menina socialmente isolada e inteligente, o que me faz desejar mais interações entre ela e o Jim.

Falando nos policiais, chega a ser revoltante o nível de corrupção da GCPD. E creio que seja exatamente o que os roteiristas querem passar. Da capitã ao prefeito, todo mundo é de certa forma desprezível. O parceiro do Jim ainda recebe mais tons cinza, mas imagino a batalha árdua entre nosso futuro comissário e as forças que regem a cidade sombria. Ainda assim, nem só de vilões vive esse departamento. Fiquei dividido com o policial que Selina ameaça, pois o estilo bonzinho estava presente, mas lá nada é certo ou errado, tudo é confuso e já estou imerso neste sentimento de desconfiança.

Por ser uma série da cidade e não só dos personagens, compreendo a falta de história por trás de algumas cenas, mas me incomoda perdermos momentos entre Jim e Barbara que valeriam, sim, alguns minutos. Saber que Jim andou agindo estranho pós “assassinato” do Pinguim é bom, mas ver teria sido melhor. No mesmo aspecto, não gostei da trama do Pinguim pois está faltando alguma coisa.

Sendo assim, a trama das crianças é até legalzinha, mas inha não me satisfaz. Nesse segundo episódio o que prevaleceu foi a confusão. Nada foi propriamente claro e a série está necessitada de encontrar uma forma mais evidente de se instalar no nosso imaginário. Quando me perguntam sobre o que é Gotham eu respondo “é do Batman”, mas nunca consigo adereçar um clima, pois esse ainda é cheio, mas vazio de exclusividade. Ser canastrão é ruim? Não. Mas ser canastrão, sério, humorístico, cafajeste, sombrio e algumas coisas a mais, é. Logo, o que espero é exatamente o que a série ainda não encontrou: uma assinatura.

Easter Eggs

  • Originalmente o nome da Mulher-Gato era apenas Gata, ou “The Cat”. Na série é uma alusão a esse período para salientar Selina como a personagem, algo que acho extremamente válido.
  • Comediantes da semana: os vilões e suas carinhas de Coringa e Arlequina. Será?
  • Família Maroni é saída dos quadrinhos. Lá, ela luta contra o Penguim e os Falcone em busca do monopólio do crime organizado de Gotham.
  • Seria Gotham unificada ao DCUTV (Universo Integrado da DC na TV)? Em Arrow nós já conhecemos um Dollmaker.
  • Por falar em Arrow, vocês notaram um Q verde em um dos prédios da cidade de Gotham? Será o logo da Queen Consolidated?

Q

  • Trident é o nome de um vilão dos Jovens Titãs, usado na série como o nome da empresa de entregas do furgão utilizado pelos capangas. Pode ser também referência ao Aquaman (ou não).
  • Lazlo, o garçom amante da Fish Mooney, é nos quadrinhos o Professor Porco. Nas promos da série vimos um homem usando uma máscara de porco. Poderia ser ele?

 

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| Gotham, Review

  • cesarferraz

    Achei um pouco pesado esse review e me pergunto: será que sou só eu que estou gostando da série? Sei que não pois dois amigos meus estão acompanhando também e o consenso é de que a série está “Interessante. Vamos acompanhar pra ver onde vai chegar…”. Concordo que falta um pouco mais de diálogos e atitudes para mostrar comportamentos estranhos dos personagens só citados, mas talvez esse não seja o caminho proposto pelos criadores. Como anda a audiência da série? Seria legal colocar esses dados estatísticos para nós entendermos melhor sobre aceitação além do âmbito pessoal de quem escreve aqui. Gosto do Cobblepot, gosto da Selina. Gosto da delegacia e de como as celas dos prisioneiros ficam perto dos policiais. Vamos acompanhar…

    • Oi Cesar, bom, na verdade eu cobro muito da série por achar que ela tem condições sim de apresentar mais do que vem mostrando. Acho que o fator predominante para minhas críticas é a falta de identidade que ela ainda tem. Não é só você que está gostando da série, eu também estou, mas na hora de escrever sobre eu acabo adotando outro viés, o crítico e para mim, falta um pouco mais de decisão por parte dos redatores em criar um universo com nome e sobrenome. Gotham ainda tem cheiro de reciclada. Isso não significa que eu a odeie, ao contrário, séries que eu não gosto eu paro de assistir, até porque, em época de fall season, o que mais temos são oportunidades de criar novas paixões. Obrigado pelo comentário, e olha, no quarto episódio meu coração amolece mais com a série.

      • cesarferraz

        Ufa bom saber Diego, pois achei o quarto episódio o melhor até agora 😀 Mas continue fazendo suas críticas e eu sim continuarei acompanhando por aqui. Abraços!