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CRÍTICA – O Abutre

Jake Gyllenhal em seu auge.

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A tradução brasileira de “Nightcrawler” não poderia ser melhor. O Abutre não trata, como sugere o título original, de pessoas noturnas ou ás sombras da noite, mas sim de pessoas de sangue frio, abutres, aves que vivem de restos de animais mortos.

Estreando na direção, Dan Gilroy, até então roteirista de sucessos como O Legado Bourne e Tudo Por Dinheiro, faz um excelente trabalho ao dirigir o longa que conta a história de Louis Bloom (Jake Gyllenhaal), um homem sem centro moral e sem capacidade de empatia, mas fascinante. Ladrão de materiais de construção, ele vê oportunidade de ganhar dinheiro como cinegrafista independente. Quase por acaso, Louis descobre lucro certo no jornalismo criminal. A fórmula? Vagar pelas madrugadas de Los Angeles atras de crimes e acidentes inesperados e ásperos, gravar tudo e vender para o jornal sensacionalista de Nina (Rene Russo).

Dan, que aborda de forma irônica a situação atual dos meios de comunicação, assemelhando-se a abordagem de Sidney Lumet em Rede de Intrigas, sublima as expectativas do melodrama ao escolher Jake Gyllenhaal como ator principal. Jake, em sua melhor atuação, dá ao personagem uma tenacidade incrível. De aparência oleosa, com olhos obcecados e esbugalhados, esquelético de tão magro – o ator emagreceu 10kg para o papel – Louis Bloom é o protótipo perfeito de um psicopata.

O Abutre - Jake Gyllenhaal

Rene Russo, esposa do diretor, também não decepciona em seu primeiro papel de destaque em anos. Rene, dá vida a Nina, uma diretora de redação ambiciosa e sem escrúpulos, que vê em Louis a solução para seu problema de pouca audiência.

A escolha certeira não fica somente na atuação. A fotografia, assinada por Robert Elswit – parceiro fiel do diretor Paul Thomas Anderson (Magnólia) – possui cenas noturna neo-noir – estilo ripado dos filmes noir da década de 1940 – que dá o tom de suspense ao longa.

Apesar da familiaridade de seu tema – a mídia que se alimenta do trágico – O Abutre mostra, como um espelho, nossa sociedade tão deformada, com valores distorcidos. Não importa o que pensamos de Louis e suas façanhas, é difícil negar que o mundo que ele vive não é o que fizemos.


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