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REVIEW – Game Of Thrones: 5X05 – Kill The Boy

Metade da temporada e nem um terço dos plots desenvolvidos.

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Acredito que todos os fãs de séries já experimentaram fantasiar que eram um dos personagens de sua trama favorita. Às vezes crio personagens que só existem na minha imaginação para, de alguma forma, participar da trama que se desenvolve. Pode parecer infantil, eu sei, mas é divertido alterar a história a meu bel prazer. Em Game of Thrones, sou filho de um lorde menor do Vale que se recusou a lutar ao lado do usurpador por ser fiel à casa Targaryen. Este lorde enviou seu filho de quinze anos para Essos, afim de protegê-lo, porém mercadores de escravos sequestraram o navio e venderam o garoto para lutar nas arenas. Lá ele fez amizade com um grande guerreiro das Ilhas do Verão, fez fama como lutador e fugiu para se tornar um pirata. Decidiu que gostaria de estar onde nenhum homem nunca esteve e viajou para o Oeste em busca de novas terras até que resolveu voltar com uma frota gigantesca para apoiar a única Targaryen viva.

Legal, não é? Se meu personagem existisse, ele chegaria até Meerren com uma frota de milhares de navios e os ofereceria a serviço de Daenerys, assumindo o posto de conselheiro real e chefe da marinha. Se meu personagem existisse no enredo, ele ocuparia o lugar de Sor Barristan, o ousado, e convenceria a Rainha a atacar Westeros, inspirando-a através da memória e de contos sobre o honrado guerreiro que faleceu defendo sua causa. Porém, George Martin não compartilha de meus delírios e divagações, muito menos os produtores e roteiristas da HBO, então encontramos a última Targaryen perdida e mal aconselhada.

Sem Sor Baristan, Daenerys é uma Rainha entregue a uma cultura – ou culturas – estranhas ao seu sangue. Sem ninguém de Westeros para apoiá-la, não possui ponto de referência em sua verdadeira causa. A Targaryen está sozinha e pela primeira vez se sente perdida. Amedrontar os líderes da famílias dos mestres, os oferecendo como alimento para Rhaegal e Viserion, só sacia sua sede de vingança e pouco auxilia na luta contra os Filhos da Harpia. Felizmente Missandei pode falar com ela livremente e, através da simplicidade da ex-escrava, a Rainha pode compreender que seus conselheiros sempre estiveram ali para ensiná-la. Acredito que seria uma boa forma de honrar o falecido cavaleiro ao atender uma de suas sugestões.

A abertura das arenas de lutas é uma ótima estratégia para aproximar o povo de sua nova governante, mas se casar com um dos mestres a afasta de seu objetivo principal. Quanto mais Daenerys se preocupa com a situação de Meereen, mais deixa de lado o trono de ferro. A nascida da tormenta ainda tem muito o que aprender sobre o jogo dos tronos.

Se no extremo sul a Rainha encontra problemas para governar, na muralha a situação não é muito diferente. O nonacentésimo nonagésimo oitavo Senhor Comandante foi o primeiro entre seu antecessores a perceber que o povo livre também faz parte do mundo dos homens. Eles só tiveram a infelicidade de ficar do lado errado da muralha. A questão é que, muito provavelmente, Jon é o primeiro Lorde Comandante que viveu entre os selvagens e conheceu sua cultura e costumes. Mesmo que existam entre eles os canibais, o povo livre é muito parecido com aqueles que estão ao sul da muralha. O problema são os mil anos de guerra entre os dois lados e histórias de abusos e atrocidades que afastam todos. Ajudá-los para não aumentar o exército dos mortos é um bom começo, mas o atrito entre os patrulheiros e o povo livre não cessará tão facilmente.

Em Winterfell, Sansa começa a conhecer melhor o inimigo. Ramsey pode até disfarçar, porém não conseguirá esconder sua verdadeira natureza por muito tempo. A cena com Theon, ou melhor, Rick, durante o jantar, apresentou a face monstruosa dos Bolton para Lady Stark. A pretendente sabia o quão orgulhoso era o protegido de sua família e pode imaginar as atrocidades que passou para se tornar aquela criatura quebrada que dorme com os cães. Além do show de horrores, a filha do norte agora sabe que os antigos vassalos de seu pai estão ao seu lado. Gostei bastante da adaptação do plot de Briene e gostaria que a Cumpridora de Promessas atingisse o pescoço do bastardo dos Bolton.

Se na review passada reclamei que havia pouco o que escrever sobre Tyrion, nesta posso dizer que o anão ganhou mais atenção dos roteiristas, chegando até a garantir os momentos de ação do episódio. O ataque dos Homens de Pedra foi uma surpresa, mas garantiu uma passagem que os leitores dos livros conhecem muito bem. O Lannister foi tocado por um portador de scamagris, o que deveria garantir sua contaminação imediata, assim como aconteceu com Sor Jorah. Esta passagem dá margens para mais uma das grandes teorias de Game Of Thrones: a de que o anão é, na verdade, um bastardo do Rei louco, sendo, portanto um irmão de Daenerys e meio Targaryen. Veremos como a série lidará com isso e se alimentará a especulação, a exemplo do episódio passado quando Mindinho deixou no ar, num diálogo com Sansa, a verdadeira história sobre o rapto de Lianna Stark por Rhaegar.

‘Kill the Boy’ foi, sem dúvida, um episódio para acelerar a trama. Entretanto, tenho sentido esta temporada um pouco confusa. A culpa é do excesso de plots e a separação dos personagens, algo cansativo de acompanhar. Ao mesmo tempo que há ainda muito para acontecer, já chegamos ao meio da temporada. Vamos acelerar?!

Ps1: Se excluirmos a atenção dada aos personagens em Winterfeel, este episódio de Game Of Thrones focou nos três possíveis Targaryens da história: Tyrion um bastardo do Rei Aerys, Jon Snow filho de Liana e Rhaegar (R+L=J) e Daenerys Nascida da Tormenta. Se as teorias estiverem certas, os três governarão Westeros.

Ps2: Ansioso pelo confronto entre Stannis e os Boltons! E que aconteça após o casamento, por favor.


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