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REVIEW – Fear The Walking Dead: 1X03 – The Dog

Quando um pastor alemão é subestimado pelos roteiristas, os núcleos se unem

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Acreditava que muitas das perguntas que estão voltando à tona em Fear The Walking Dead já tinham cumprido seu objetivo e nos instruído o suficiente na temática da franquia, porém, em The Dog esse conceito ganhou um novo ponto de vista e posso dizer que agregou um pouco mais na concepção da problemática do apocalipse.

É claro que me refiro à questão da senhora Susan, a simpática vizinha asiática dos nossos protagonistas. Acompanhar Madison a observando por entre a cerca, empunhando um martelo e decidindo dar um fim à situação da amiga, enquanto a transformada tenta alcançá-la, foi o ápice do episódio. O questionamento da senhora Clark sobre como seria se o marido a encontrasse naquela situação e, mais tarde no episódio, aquilo acontecendo, foi interessante. Isso me despertou outra incógnita: O que seria pior? Patrick encontrando Susan como walker ou com a cabeça aberta na beira da cerca? Como Madison explicaria o “assassinato” para o vizinho?

Quando pensei que a questão de matar conhecidos e entes queridos transformados já havia sido explorada ao máximo – principalmente depois de termos Carl matando a própria mãe – eis que Fear The Walking Dead nos traz a questão do desconhecimento da situação. Como você se sentiria se alguém amassasse a cabeça de um familiar seu? Passaria pela sua cabeça que aquele ente querido estava em uma situação irrecuperável? Pois é… Acho difícil que alguém que não saiba ao certo o que está acontecendo possa entender a gravidade da situação.

Já a Sra. Clark entendeu tudo muito rápido. Pode ser o choque de ter matado o seu superior na escola, pode ser o traficante atropelado ou até mesmo seu instinto, a questão é que ela não quer ser zumbificada e se tornar uma ameaça para a família. Por isso a conversa com Liza, a ex do seu namorado. Madison é a primeira a entender a situação e admitir que os “mortos” são uma grave ameaça, uma ameaça que ela não quer se tornar.

Com isso começam a ficar claros os papéis dos personagens no grupo. Travis já se posicionou como moralista e avesso à violência. Veremos como se dará a transformação do personagem, mas confesso que esse plot não me agrada muito. É inevitável a aversão que sentimos com esse tipo de personagem, me lembra o fim de Tyresse. O cara que acredita que pode resolver as coisas sem sair na porrada em um mundo desabando e acaba por passar pelo chato do grupo. Na boa? Acho melhor ele mudar logo o que pensa sobre armas ou então encontrar uma boa espada samurai por aí. Talvez, se ver Chris ameaçado, mude de ideia. O que seria ótimo pois resolveríamos dois problemas: o adolescente com problemas com o pai e o inocente moralista.

A falha no episódio ficou por conta do combate entre zumbi e um pastor alemão. Não entendo como os roteiristas puderam subestimar um cachorro daquela forma. Ou quem escreveu a cena nunca teve um cão e não se deu ao trabalho de pesquisar ou no mínimo nunca assistiu Rin tin tin. Um cão de mais de 45 quilos, saudável, tem força suficiente para derrubar e dominar um boi de 15 arrobas, quem dirá um zumbi capenga. Não vou ficar aqui elencando as potencialidades e vantagens do animal frente a um humano, mas preciso dizer que a cena ficou muito forçada. Eu apostaria fácil no cachorro.

O acidente com Griselda coloca a família do salvadorenho Daniel na casa dos Clark. O conflito entre ele e Travis renderá boas discussões para os episódios. Ficou claro que o Sr. Salazar é um sobrevivente, manja de armas de fogo e já deve ter passado umas poucas e boas na vida. Eu também gostei da inserção de uma segunda língua na série. Ouvir o espanhol da família Salazar é gostoso e dá uma certa ideia de multinacionalidade para a série. De qualquer forma chegará um ponto que os líderes das famílias brigarão pela liderança geral e veremos o que sairá desse embate.

A chegada do exercito já era esperada e tivemos um spoiler disso no momento em que o rádio do carro anunciava que onze estados haviam decretado estado de calamidade pública. Com os militares instalados, teremos uma diminuição no ritmo dos acontecimentos e ficaremos por conta das notícias dos eventos anteriores. É de se esperar que com as mortes da rebelião na noite anterior nos já tenhamos um exército de walkers prontos para marchar em direção à casa dos Clark.

Volto a dizer que o prequel está indo muito bem. A qualidade de Fear The Walking Dead está se mantendo e a curiosidade pelos próximos acontecimentos é suficiente para nos manter presos à trama.


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