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REVIEW – Fear The Walking Dead: 1X04 – Not Fade Away

Segurança ou liberdade: o que conforta mais?

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Confesso que não pesquisei o suficiente sobre ocupações militares para escrever esta review, mas acredito que nada do que vimos no episódio deva ser muito exagerado. Basicamente, em cenários onde o poderio militar canta as regras, o direito dos civis são equacionados à importância de cada um deles e às regalias e confortos são direcionados de acordo com a patente do militar. De qualquer forma, se estabelece a regra do “manda quem pode e obedece quem tem juízo”. A situação pode ficar mais complicada a depender da índole do oficial comandante.

A ocupação e estabelecimento do perímetro militar na série é um artifício bastante interessante. Ao mesmo tempo em que dá segurança aos personagens, cria uma sensação de privação de liberdade e ameaça. Entender os pontos de vista dos civis não é difícil, já que podemos relacionar os traumas de cada um e suas reações. O maior problema foi a postura do comandante, que parece não dar a mínima para o que está acontecendo e não tem vontade de estar ali. Isso faz com que ele queira o mínimo de trabalho possível e, consequentemente, estabeleça protocolos que privam os civis de seus direitos e os transformam em ovelhas a serem pastoradas. Antes de criar rótulos de mocinhos e vilões, devemos lembrar que os milicos que estão de serviço também possuem família e estão preocupados com todos. Nenhum deles tem a real proporção do que está acontecendo e muito menos um planejamento de longo prazo.

A visita de Madison fora do perímetro estabelecido pelo exército deixou claro que os militares exageraram na resposta à ameaça dos “infectados” e mataram inocentes também. É provável que qualquer um que ficou no caminho foi considerado uma ameaça. Se as pessoas atrás da cerca ficarem sabendo, pode haver revolta e, na atual conjuntura, não creio que nossos personagens tenham alguma chance de lutar.

A forma com que o comandante afirma que não há ninguém lá fora, e insiste em manter as pessoas dentro do perímetro, não deixa claro se ele esta recebendo ordens de superiores ou se a estrutura do exercito também já desmoronou. Não sabemos se existe comunicação com as outras bases seguras que foram citadas ou se eles estão seguindo algum tipo de protocolo existente. Não sabemos o que os militares sabem sobre a ameaça e muito menos o que pretendem fazer para manter a situação. A pergunta que não quer calar é o que eles farão quando descobrirem que não há mais uma cadeia de comando, não há leis, não há estado e por assim dizer, aquela bandeira na sua farda não significa mais nada. A regra de sobrevivência passa a ser cada um por si e é ai que veremos o que poderá acontecer.

Quando vi a primeira vez o reflexo comunicativo do sobrevivente do prédio que Cris filmou, lembrei do nosso Nerd Tobias. Quero muito que seja o garoto que esteja sinalizando naquela janela.  Espero que os personagens organizem logo uma missão de resgate para podermos matar a curiosidade. A problemática agora é lidar com a situação de domínio militar e o novo plot do hospital que iniciará no próximo episódio. Tive a impressão que a médica realmente quer ajudar e só é mais uma refém, mas veremos se estou certo.

O comportamento de Ofélia acabou como uma incógnita para mim, pois não ficou bem definido se ela está realmente interessada no militar ou está procurando uma forma de obter favores em meio ao caos. Se estivermos falando da segunda opção, então ela escolheu a moeda de troca mais velha do mundo e isso pode não terminar bem.

Agora, com Travis sendo eleito líder e representante dos civis pelo comandante da missão e Nick dando demonstrações de quão esperto e cruel ele pode ser, terminamos o episódio com a família Clark sendo separada do problemático viciado e revoltada pela ação truculenta dos militares. Fear The Walking Dead está ganhando velocidade aos poucos e criando um cenário bastante interessante que, ao mesmo tempo que nos passa a impressão de que a verdadeira ação está ocorrendo do lado de fora da cerca, deixa tensão do lado de dentro.


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