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RuPaul’s Drag Race – 8X01: Keeping It 100! (Season Premiere)
por Henrique Haddefinir Posted in Review, Rupaul's Drag Race on 12 março, 2016 10 Comments
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100 episódios e uma chance de fazer uma oitava temporada realmente fierce

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Não vamos tapar o sol com a peneira… A sétima temporada de RuPaul’s Drag Race nos entregou bons momentos, nos presenteou com Katya, mas ficou devendo em muitos, muitos dos desafios e participantes. Foi uma temporada preguiçosa, com algumas das provas mais chatas e entediantes da história do show, juntando-se a isso um elenco muito carente de carisma. Então, na mesma proporção em que a popularidade do show se tornou fenomenal, ele recebeu muita indignação e ódio por conta da frustração de tantas expectativas.

Após demissões e alguns escândalos envolvendo a infame segunda temporada do RuPaul’s Drag Race All Stars (um namorado de Alaska teria vazado tudo sobre a edição), o oitavo ano foi preparado para ser uma chance de recuperação. Ru teve tempo de analisar todas as falhas, pensar na força de um elenco e vir para a edição do episódio 100 com gana de renovar o espírito de unanimidade acerca do show. RuPaul’s Drag Race foi, e ainda é, uma das coisas mais sensacionais que a televisão já produziu.

Assim, chegamos para esse novo ciclo com uma apresentação de elenco bem promissora. Depois de oito anos, já dá pra saber pelas entradas quem tem algo mais a oferecer e quem é apenas genérica.

acidbetty

Acid Betty não era só uma máscara que marcava um momento, mas um olhar mordaz. No Meet The Queens, Betty já dava pistas de sua personalidade agressiva e dizer que “nem Bianca mexeria com ela” foi uma tag esperta para já deixar claro ao público qual o seu papel no jogo.



Já com Robbie a primeira impressão é a pior possível. Maquiagem ruim, peruca gongada e figurino bagunçado. Não sei porque raios há uma recorrência tão grande de drags com dentições terríveis e Robbie só veio para confirmar isso. Ela é a antítese do tipo de apresentação que Betty, e outras queens mais polidas, fizeram.

Betty, aliás, era velha conhecida de Thorgy e nos adiantou o serviço. Thorgy tem identidade, mas também errou muito na escolha da roupa. O mesmo para Bob The Drag Queen, que tascou um maiô simples e entrou na brincadeira. A imagem abaixo, contudo, reforça a ideia de que nem tudo nesse mundo é look:



Não consigo entender que Ru ainda escale o tipo Sasha Belle para a competição. Laila McQueen exalava apatia assim que entrou no ateliê. Naomi Smalls possivelmente reprisa as limitações de Carmen Carrera e Cinthia pode ser só mais uma porto-riquenha retardatária. Já Chi Chi veio com um vestido feito de sacos de lixo e provou que não ter orçamento não é um problema.

A centésima participante a adentrar as portas de Rupaul’s Drag Race acabou sendo Derrick Barry, que faz carreira imitando Britney Spears de forma absurdamente semelhante à estrela, tem um casamento poliamor conhecido no meio e foi escolhida para entrar por último para intimidar as outras. Ele é a Courtney Act da edição, Feminina, bela, com carreira sólida e escudo de segurança.



Feitas as apresentações, passamos para o desafio de fotografias típico dos primeiros episódios. O bacana dessa vez foi que Ru reuniu todas as campeãs para o ensaio. Ou melhor, quase todas. Bianca Del Rio não compareceu e levou um belo shade ao ser substituída por um palhaço. Cada uma das meninas teria que posar com as campeãs para que Ru avaliasse o “fator estrela” de cada uma.

Laila começou a trilhar um péssimo caminho ao ficar completamente apática no ensaio. Bob, por exemplo, não tinha muito carão, mas ao menos salvou o dia com personalidade. Derrick usou o set inteiro, explorou tudo, do jeito que tem que ser e do jeito que uma campeã faria. Esse momento foi bastante emblemático para os fãs da Drag Race, com as vencedoras reunidas e sempre com algo interessante a dizer… Com exceção de Tyra, é claro. Sharon e Jinkx estavam especialmente engraçadas com suas caras e bocas a cada uma das sessões.



O desafio principal, como era de se esperar, voltava ao passado de Rupaul’s Drag Race com antigas participantes servindo como modelos para looks que seriam refeitos pelas atuais competidoras. A ideia de retomar desafios pregressos pode ser eficiente para impedir a equipe de cometer desatinos como o “desafio de Merle” no ano passado. Ainda será um problema em termos de criatividade mas, depois de tantos enganos, é melhor estar seguro que errado.

Robbie ficou com a tarefa e esqueceu que entre as opções devia escolher a sua própria. Acabou ficando com o do cachorro e não pareceu muito feliz. No ateliê, a edição do episódio focou em Derrick por uma razão muito simples: drags que imitaram alguém a vida toda tendem a não transmitir uma ideia de criatividade. Chad Michaels está aí para mostrar que isso não é uma verdade absoluta. Derrick demonstrou muitas dificuldades, mas não se deixou abater por elas. Porém, criatividade é uma habilidade que transcende essas questões e Naysha, mesmo sendo “ela mesma”, não conseguia entender que há muito o que se pode fazer com um porquinho cor-de-rosa. Ser uma Miss Continental não é o suficiente (e dizer que nunca costurou na vida dentro de uma competição que já tem 8 anos, é no mínimo, burro).

A discussão sobre as “garotas de concurso de beleza” é longa dentro de Rupaul’s Drag Race. A razão pela qual elas tem uma má reputação (como aponta a própria Naysha) não está muito longe de sua principal qualidade. A competitividade cruel de algumas, a alienação conceitual de outras… Roxxxy Andrews fez um grande desserviço pela classe e até hoje as pageant queens acabaram sempre participantes amargas ou recalcadas, perturbadas pela evidência de que ser bonita não é o suficiente.

O resultado do desfile evidenciou isso… As meninas muito atreladas ao quanto são belas tiveram desempenhos medíocres. Naomi, Derrick e Naysha não foram nada criativas e decepcionaram nessa primeira prova. Derrick já foi acuado pela exigência constante de Michelle no que diz respeito a versatilidade. E ele já começou falhando… Naysha e Laila, que acabaram no bottom, estavam apáticas. A vitória caiu facilmente nas mãos de Kim, que fez bonito por todo o episódio (inclusive no comovente relato sobre sua mãe não saber que ele se monta).

kim chi

A dublagem entre Naysha e Laila foi bem estranha. Laila ficou perdida até a metade e Naysha fazia movimentos óbvios que fugiam completamente da natureza pop da canção (Applause, de Gaga). Pelo mínimo esforço para ficar, Laila venceu a batalha, mas aposto em sua saída como uma questão de tempo. Semana que vem ou na próxima, é quase certo que ela diz adeus.



NOTA DO UNTUCKED: Os medos de Naysha, é claro, estavam todos impressos no Untucked. Ela era uma Miss, entrou cercada de expectativas e ir embora na primeira semana soava como uma piada cósmica, sobretudo num desafio de costura em que ela não poderia usar nenhum de seus looks matadores. O Untucked continuou no seu formato cru do ano passado e nos encaminhou para os últimos momentos da eliminada pela depressiva despedida depois de apenas dois dias na competição.

Também vimos o pequeno episódio mostrar uma certa rivalidade entre Bob e Derrick, que não aceitou uma realidade: seu look era além do simples. Pela conversa das meninas nos bastidores, o programa terá muito a oferecer no que diz respeito aos shades e às provocações.

Com uma première movimentada e objetiva, RuPaul’s Drag Race chegou para um oitavo ano com o intuito não de renovar uma fórmula, mas de fazer o público voltar a acreditar nela. Não me parece uma missão difícil… Principalmente porque todos querem que ela seja bem sucedida.
Estamos de volta, senhores… E que a melhor mulher VENÇA!!


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Henrique Haddefinir Rupaul's Drag Race


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