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RuPaul's Drag Race – 8X07: Shady Politics
por Henrique Haddefinir Posted in Review, Rupaul's Drag Race on 22 abril, 2016 18 Comments
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A oitava temporada de RuPaul’s Drag Race está tão equilibrada, que até as rivalidades são inesperadamente quebradas em nome do talento

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Diferente do que acontece em realities shows de convivência como o Big Brother, as competições de habilidades tendem a deixar o drama em segundo plano. Em programas assim, saber cantar, costurar ou cozinhar vale como fator determinante para o julgamento técnico, já que o público pouco afeta as decisões mais importantes. Ainda que os participantes eventualmente revelem facetas amorais, nada disso se reflete na posição que eles conquistam no jogo.

Em RuPaul’s Drag Race isso é um pouquinho diferente. Embora essa seja uma competição de habilidades, o elenco é formado por personalidades drag, o que já é essencialmente marcante. Não se pode, de maneira alguma, ignorar o que aquelas meninas têm a oferecer de dramático e humano para o show, que sempre se sustentou em bases ambíguas nesse sentido. Muitas vezes não era uma questão só de talento e muitas outras vezes o talento não segurou as pontas sozinho.

A oitava temporada tem uma coisa diferente de todas as outras: não há nenhuma torcida inflamada pela vitória de ninguém. No ano passado também não havia, mas por uma razão menos nobre (poucas eram realmente talentosas). Nesse oitavo ano, há um time fortíssimo de meninas e por serem extremamente comprometidas e de personalidade forte, transitam livremente entre a malícia e a fofura sem medo das linhas extremas que separam uma coisa da outra. Sendo princesas e bruxas na mesma medida, impedem a rotulação habitual do espectador e proporcionam um jogo de impressões muito mais interessante.

Então, precisamos falar sobre Kim Chi.


A coreana-fofurinha da temporada parece ser a única que deixou a capacidade de shade em casa. Extremamente talentosa, Kim Chi tem a criatividade e inteligência artística de uma deusa, uma verdadeira rainha. Mas, carece de outras qualidades essenciais para uma vencedora: a força no olhar, o domínio de passarela e o humor mais provocativo que são inerentes à condição de Drag Superstar. Isso não a torna completa, não a torna elegível e por isso ela foge ao contexto da temporada.


Foi muito fácil perceber isso numa semana em que o desafio era ser “venenosa”. Shady Politcs foi outro delicioso episódio, justamente porque caminhou em direções que realmente não esperávamos. Não pelo desafio em si ou pelo desfile, mas pela forma como a edição trava o crescimento de narrativas maniqueístas. Ver a forma como Bob e Derrick se entenderam através do talento, foi, sem dúvida, um grande momento desse ano. Essa é a temporada das viradas de impressões, semana após semana, para o nosso deleite.

Vamos lá… Geralmente não há muito o que comentar sobre o mini-desafio do dia, mas diante de uma brincadeira em que o lance era adivinhar se o modelo era top ou bottom (palavras usadas pelos americanos para designar “ativos” e “passivos”), não posso ignorar o nível de provocação. Com perguntas que especulavam a preferência do bofe, RuPaul deu um jeitinho de criticar o jogo de aparências e preconceitos que dominam a própria comunidade gay. Foi um belo começo… (embora o prêmio fosse um vale para comprar colchão, hahahaah).

Em tempos de corrida presidencial, o desafio principal veio para se correlacionar com isso. Sabendo de como estão as relações entre as meninas, Ru dividiu-as em duplas que teriam que se virar juntas, colocando as rivalidades em perspectiva de modo a vencer ou perder por elas. Daí, o episódio se dividiu entre as dinâmicas das duas duplas mais marcantes nesse sentido. Ambas formadas por polos opostos, mas que trabalharam de modos completamente distintos.

Thorgy e Chi Chi

Passamos muito tempo falando de como a pretensão e arrogância de Bob eram nocivas para ele, mas que surpresa constatar que o maior problema nesse sentido era de Thorgy. Sua ansiedade em esmagar Chi Chi era tão deselegante quanto precipitada e a cada minuto da edição, sua amargura transbordava em uma cascata que já antecipava enganos. Como eu disse num texto anterior, essas meninas sabem o que a edição pode fazer com elas e devem estar prontas para o baque. Thorgy acreditou demais que era melhor que Chi Chi e excesso de confiança destrói qualquer bom senso.

Bob e Derrick

As expectativas para que esses dois entrassem em colapso eram imensas, mas o choque foi geral quando ambos decidiram privilegiar o talento. Derrick deu espaço para Bob criar porque sabia de seu potencial. Bob confiou nas habilidades de Derrick porque num desafio em dupla é isso que gera resultados. Seria loucura querer fazer o outro ser ofuscado, porque era evidente que o trabalho só fluiria bem se funcionasse em equipe. Assim, o resultado foi equilibradíssimo e foi muito bacana ver Bob reconhecendo a qualidade do trabalho de seu rival. É tudo uma questão de crescimento e Derrick está no caminho de seu amadurecimento como artista.


Bob mostrou outra de suas facetas: a política. Isso acabou fazendo todo sentido, já que apenas personalidades incisivas como a dele podem suportar as inflamações desse meio. É bem possível que nesse episódio, Bob tenha conseguido reverter muito do processo de antipatia que vinha sendo construído nas últimas semanas. Sua inteligência em fazê-lo precisa ser reconhecida, porque é a inteligência que separa seu comportamento com Derrick do comportamento de Thorgy com Chi Chi. Nunca se deve subestimar o oponente, nunca.


O desfile da semana foi um deslumbre. Todos devem se lembrar de como Detox deixou todo mundo sem ar no reunion da quinta temporada com um look que imitava divas dos filmes em preto e branco, só que em preto e branco mesmo. A homenagem não foi reproduzida no seu conceito, mas Bob, Kim Chi e Naomi apareceram com looks muito bons e fizeram a passarela valer a pena (Naomi homenageou Raven, inclusive). Já na apresentação dos vídeos ficou muitíssimo claro que Thorgy e Chi Chi não teriam como fugir de um bottom. Daí, veio a grande explosão emocional do dia…

Eu AMO os lipsyncs do programa, mas poucos me deixaram com lágrimas nos olhos. Então, o que deveria ter sido feito no dia do I Will Survive, foi feito com And I’m Telling You I’m Not Going.

Bob, lá no Untucked, falou sobre quais eram as referências e analogias da canção (pensando em ajudar Derrick, aliás). Chi Chi guardou tudo e usou BRILHANTEMENTE, numa interpretação digna de um prêmio e de arrasar com qualquer coração. Thorgy tentou, deu pirueta, entrou na frente, tentou interagir e acabou só piorando as coisas. De fato, chegou a ser triste vê-la segurando a mão de Chi Chi no final para tentar de alguma forma redirecionar as atenções (isso depois de passar o episódio inteiro dizendo que ia “ofuscar” a concorrente).

Chi Chi estava inteira naquela performance e eliminou Thorgy com aquilo que se deve usar para superar outra pessoa: talento.




NOTA DO UNTUCKED: O Untucked serviu para basicamente revelar o pior de Thorgy. Seria engraçado dizer que ele “deu uma de Bob”, jogando shade e perguntando se os outros concordam. Preso na própria cabeça, perdeu humor, paciência e tolerância. A história que contou sobre as palavras da avó deve persegui-lo (“você é bom em tudo, mas nunca será o melhor em nada), mas ele tem lidado com suas inseguranças de um jeito bastante questionável. Derrick defendeu-o de uma forma sensata, apontou sua versatilidade e ganhou mais pontos comigo. O problema de Thorgy está, no entanto, na comparação. Ele só se valida sendo melhor que alguém, nunca apenas sendo melhor. Bob desvendou-a assim e acertou em cheio. Bob, aliás, é quem sempre fala mais; e independente do que ela diga, é sempre irresistível vê-la falar.


Por fim, restam apenas 5 meninas… Já dá para começar a arriscar alguns palpites e eu estou apostando em Bob, Kim e Derrick para o Top 3. Porém, de cara já dá pra dizer que Bob é a mais completa. Vitória para ela e Miss Congeniality para a bolsa, porque, enfim… #PurseFirst.

Untucking: Chi Chi deu exagerada boa na maquiagem do preto e branco. Parecia um fantasma.
Untucking 2: Que jurado GATO era aquele, senhor?
Untucking 3: Naomi fez um vídeo bacana e Kim Chi acertou na questão política dos preconceitos velados na comunidade gay. Não foi vergonhoso para ninguém, como bem disse Michelle.
Untucking 4: Derrick arrasou na transformação do look, uma pena que foi do ruim pro pior ainda.
Untucking 5: Thorgy (que depôs contra o mito Carrie Bradshaw) deixou presentinho para Chi Chi também. Será que esse a edição vai mostrar?


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Henrique Haddefinir Rupaul's Drag Race


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