logo

Berlinale celebra 67 anos com vigor juvenil, muito cinema e nenhuma pipoca

O tradicional Internationale Filmfestspiele Berlin, popularmente conhecido como Berlinale ou Urso de Berlim chegou a sua 67. edição e foi, de fato, uma festa do cinema.

Foram exibibidos 399 filmes em 11 dias em mais de 20 salas de cinema e mais 334 mil ingressos vendidos. Com um programa de aguçar os sentidos, o festival exige que os espectadores se desdobrem para organizar suas listinhas e assistir  todos os filmes prediletos. Algumas dessas listinhas continham pelo menos 20 filmes – a minha tinha 26 e, se engana quem pensa que é das tarefas mais facéis organizar a agenda para as exibições, mas é preciso fazê-la com cautela, pois nem sempre os cinemas são proximos uns dos outros.

Para facilitar a vida do espectador e movimentar a cena cinematografica o Berlinale é dividido por mostras curatoriais  e assim atende as expecativas de um público bastante eclético. As exibições aconteceram entre 09:00 e 23:00, mas a programaçao vai além das salas de cinemas. Neste ano foi montado um lounge próximo ao tapete vermelho que funcionou como café-bar onde foram apresentados concertos e sediou discussões com diretores. O festival aquece ainda as noites de inverno da capital alemã,  com festas e eventos como o „kulinarisches Kino“ que mescla a magia da sétima arte com gastronomia, mas que fique bem claro, o banquete aconteceu antes da sessão. Durante o filme, comida só na tela.

Para os interessados em estrelas do cinema, o tapete vermelho foi um brinde ao olhos. Por ali, desfilaram nomes conhecidos do público minutos antes das pré-estréias. Neste ano passaram pelo tapete em Berlim atrizes como Catherine Deneuve que concorreu com o filme Sage Femme, Patricia Clarkson que está no elenco  do genial  The Party, o ator Richard Gere e o elenco de The Dinner, Robert Pattinson devido ao The lost city of  Z e Hugh Jackman-Wolwerine, com o tão aguardado Logan.

Em 2017 o festival se tornou um pouco mais politico, e nem poderia ser diferente. Existe uma série de temas de interesse global que precisam ser discutidos e, é natural que artistas e cineastas busquem respostas para tais situaçoes e, que consequentemente isso se reflita

no fazer  cinema. Um bom exemplo disso são os otimos The other side of  Hope, do finlandês Aki Kaurimäkis e Huntig Ghost, do diretor Raed Andoni, ambos ganhadores de Ursos de Berlim.

Também é bem verdade que o nosso cinema nacional está em alta. Foram doze filmes exibidos no festival de Berlim, mas que a verdade seja dita: Vivemos em momento histórico. Desde o começo do ano foram no total 27 produçoes exibidas em três grandes festivais internacionais de cinema: Sundance, Rotterdam e Berlim.

 

Visita ao Festival

Humberto Gollabeh

Os ingressos geralmente começam a ser vendidos três dias antes da sessão  no Centro do Festival na Potsdamerplatz ou on-line, mas podem ser adquiridos no dia da sessão no cinema, se ainda restarem ingressos disponíveis, o que raramente acontece. Por se tratar de um festival é aconselhavel se programar para comprar os ingressos antes. Para aproveitar o festival e evitar correria é possível assistir até quatro filmes por dia, mas é importante fazer uma seleção porque sã muitas as opções.

Altamente recomendado é não escolher sessões que terminem 15 minutos antes do próximo filme começar. Em festival é bem comum que alguém da produção, ator ou diretor do filme responda perguntas feitas por um mediador e, algumas vezes até questionamentos da platéia, além de levar em consideraçao quanto tempo é necessario para se locomover de um cinema ao outro. Uma pausa de 45 minutos pode ser ideal para não perder o próximo filme.

Os cinemas não  tem lugar marcado. Então, a regra é clara: quem chegar primeiro, se serve primeiro – escolhe os melhores lugares. Em hipótese alguma é permitida a entrada nos cinemas com bebidas ou comidas. Afinal de contas, é uma festival de cinema. Todos querem aproveitar o filme ao máximo  e não ouvir o som de pipocas alheias. Sem contar que entre um filme e outro é possivel bebericar e comer alguma coisa para encarar a proxima sessão.

 

O que rolou no Berlinale

Como nossos pais – Mostra panorama

Lais Bodanzky, 2017

Brasil

Rosa é uma mulher que esta chegando aos 40 e enfrenta problemas familiares, tem uma relação turbulenta com mãe e a descobreta de um segredo de familia desconstroi toda a instabilidade que a personagem aparenta ter. Dialogos afiados temperam a trama. Maria Ribeiro nos convence e conduz pelos dilemas de Rosa, mas Clarisse Abujamra nos dilacera o peito com sua intrepretação triunfal.

 

Vazante – Mostra Panorama
Daniela Thomas, 2017

Brasil

Após o falacimento da esposa e o seu recém-nascido, Antõnio se casa com sua cunhada, uma menina  de 12 anos. Filmado numa atmosfera preto e branco o filme se passa no Brasil do ano de 1821. O quarto longa de Daniela ganha força ao narrar as violências históricas sem cair em clichês e ao evitar direção de arte que tentar recriar tudo como se estivesse no século 18. Com silêncios constantes o longa seduz e conduz o espectador por uma história que poderia ser contada em dois minutos, mas para o bem dos que adoram cinema, não é.

 

Joaquim – Competição

Marcelo Gomes, 2017

Brasil

A ação acontece no Brasil colonial do século 18 e as leis ou regras são dadas por oficiais corruptos. No filme de Marcelo Gomes quem da vida ao Tiradentes, com uma interpretação brilhante, é o ator Julio Machado que convence, comove e emociona. Joaquim começa uma expedição com objetivo de ganhar dinheiro para comprar a liberdade de sua amada, Preta – parte ficctional do longa que nos aproxima do Joaquim-homem e nos distancia um pouco do Tiradentes que conhecemos nos anos escolares.  A mistura de sotaques, de povos e a miscinegenação na formação do povo brasileiro cria a atmosfera do filme e pontua uma pergunta: Quem é o revolucionário nessa história?

 

The Wound – Mostra Panorama
John Trengove, 2016

Africa do Sul

Xolani, um jovem trabalhador de uma fábrica se reúne com homens da sua comunidade nas montanhas de Eastern Cape para iniciar adolescentes no ritual de passagem para estado de homem adulto. O procedimento que consiste em uma circuncisão e jejum é, por vezes,  associado a razões religiosas.  Tudo corre muito bem até que Xolani tem um segredo descoberto e que pode colocar em risco toda a existência. É provaável que o filme terá exibição proibida em alguns países da África.

 

Berlin Syndrome –  Mostra Panorama
Cate Shortland, 2017

Alemanha

Claire, uma mochileira australiana que está de passagem por Berlim conhece o sedutor Andy. Os dois tem um affair e o que deveria ser o começo de uma relação amorosa se torna em pesadelo. A diretora é acertiva no seu papel e passeia com tranquilidade pelo gênero thriller. Para os fãns do alemão Max Riemelt, o Wolfgang, de Sense 8 é um presente vê-lo ao lado da australiana Teresa Palmer, mas é preciso ter nervos de aço.

 

Sage Femme – Mostra Competititva

Martin Provost, 2017

França

Sage Femme em uma tradução livre para o português seria “Parteira”. Claire é uma parteira que trabalha numa clínica e vive seu o dia-a-dia em uma profissâo que vem desaparecendo na França. A parteira leva uma vida que se resume ao trabalho, os cuidados de seu jardim e ao filho que estuda medicina. Sua vida fica mais agitada com o surgimento de Beatrice, ex-mulher de seu pai, que o deixou há 30 anos atrás. Para completar a situação Beatrice, Catherine Deneuve, sofre com um tumor no cerébro o que lhe garante pouco tempo de vida. Sage Femme não tem conflito, mas ainda assim o filme não se torna dessinteressante, pelo contrário.

 

Chavela – Mostra Panorama

Catherine Gund, Daresha Kyi

Estados Unidos, 2017

Uma série de entrevistas com amigos, contemporâneos, parceiros musicais e companheiras da cantora Chavela Vargas, nascida na Costa Rica, mas consagrada no México, compõem a personalidade carismática da artista abertamente lésbica.

 

Istiyad Ashbah (Ghost Hunting) – Mostra Panorama

Raed Andoni, 2017

França, Palestina, Suiça, Qatar

Um experimento feito numa sala vazia, onde os protagonistas reconstrõem um centro secreto de interrogação israelense. Esses palestinos recriam e revivem memórias dos momentos de humilhação que sofreram quando ficaram encarceirados nesses centros. O documetário decorre de um ensaio/preparação para um possível filme de ficção.

 

Dream Boat – Mostra Panorama

Tristan Ferland Milewski

Uma semana em um cruzeiro gay com festas e flertes. Temas como corpo, identidade e a busca por sexo se densenrolam no decorrer do filme. É interessante ver como os 5 protagonista quem são do Oriente Médio,  da India e da Europa lidam com as situações e entrevistas que acontecem no barco.

 

Ein Weg (Paths) – Perspectiva Cinema Alemão

Chris Miera, 2017

Alemanha

Quanto tempo dura um relacionamento? Seremos felizes para sempre? Quanto tempo dura o felizes para sempre?Andreas e Martin te uma relação cheia de autos e baixos e com o passar dos anos o filho do dois cresce. Ein Weg é um retrato sensível sobre o amor e relações.

 

Ganhadores dos Ursos de Berlim:

 

Urso de Ouro para melhor filme:

On Body and Soul, de Ildikó Enyedi, Hungria

 

Urso de Prata – Grande Prémio do Júri:

Felicité, de Alain Gomis, França, Senegal, Bélgica, Alemanha, Líbano

 

Urso de Prata – Prémio Alfred Bauer da inovação:

Spoor, de Agnieszka Holland, Polônia, Alemanha, República Checa, Suécia, Eslováquia

 

Urso de Prata de melhor realizador:

Aki Kaurismäki por The Other Side of Hope, Finlândia

 

Urso de Prata de melhor atriz:

Kim Minhee em On the Beach at Night Alone, Coréia do Sul

 

Urso de Prata de melhor ator:

Georg Friedrich em Bright Nights, Alemanha

 

Urso de Prata de melhor argumento:

Sebastián Lelio e Gonzalo Maza por Una Mujer Fantástica, Chile, EUA, Alemanha e Espanha

 

Urso de Prata de melhor direção artística:

Dana Nunescu, montadora de Ana, Mon Amour, de Calin Peter Netzerm Roménia, Alemanha, França

 

Prêmio de melhor primeira obra:

Summer 1993, de Carla Simón, Espanha

 

Prêmio de documentário:

Ghost Hunting, de Raed Andoni, França, Palestina, Suíça e Qatar

 

Urso de Ouro de melhor curta-metragem:

Cidade Pequena, de Diogo Costa Amarante, Portugal

 

Urso de Prata de melhor curta-metragem:

Ensueño en la Pradera (Reverie in the Meadow), de Esteban Arrangoiz Julien, México

 

Prémio Audi Curta-metragem:

Street of Death, de Karam Ghossein, Líbano e Alemanha

 

Prêmio de melhor filme da mostra Panorama pelo júri de Fipresci (Federação Internacional de Críticos):

Pendular, de Julia Murat, Brasil


gostoudotexto



| Análise